Educação socioemocional: o que é e qual a sua importância para o contexto escolar
Descubra o que é educação socioemocional, por que ela é essencial e como o programa Conviver apoia na formação integral dos alunos.
Gestores
Publicado em 12/02/2026
Atualizado em 12/02/2026
Tempo de leitura de 16 minutos
As competências socioemocionais são parte essencial do desenvolvimento humano e da vida escolar. Afinal, aprender vai muito além de dominar conteúdos, envolve também reconhecer o que sentimos, compreender como agimos e aprender a conviver com o outro.
Por isso, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) destaca a importância de que a escola promova não apenas o aprendizado acadêmico, mas também o crescimento emocional e social dos estudantes. E é justamente nesse ponto que entram as cinco competências socioemocionais: autoconhecimento, autocontrole, empatia, responsabilidade e tomada de decisão, pilares que sustentam uma formação completa e conectada com a vida real.
Essa competência refere-se à capacidade do estudante de reconhecer suas próprias emoções, valores, potencialidades e limites e, além disso, refletir sobre como essas características influenciam suas interações e aprendizagens.
A BNCC destaca que o aluno deve “conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros”.
Trazendo isso para a prática escolar, pode aparecer por meio de atividades que convidam os alunos a:
Por isso, professores e escolas podem fazer uso de ferramentas como diários de sentimentos, rodas de conversa ou mesmo mapas de competências individuais. Assim, o autoconhecimento deixa de ser um conceito vago e torna-se vivenciado, no dia a dia da sala de aula, no corredor, no recreio.
Quando o estudante se conhece melhor, ele pode também se colocar de forma mais segura no ambiente escolar, e isso favorece tanto em sua aprendizagem quanto em seu convívio.
Também chamado de autogestão em alguns referenciais. Esta competência refere-se à capacidade de regular as próprias emoções, pensamentos e comportamentos diante de situações de desafio ou estresse, além de saber persistir, motivar-se e adaptar-se. A autogestão favorece o desempenho escolar, o bem-estar e a convivência saudável.
Na escola, o autocontrole pode aparecer de várias maneiras concretas:
Dessa forma, o autocontrole permite que o estudante não seja dominado por impulsos ou distrações, mas consiga agir de forma mais consciente e isso favorece tanto o progresso individual quanto a harmonia da sala de aula.
A terceira competência é a empatia.
Empatia significa a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreender suas emoções, perspectivas e identidade e ainda agir de modo coerente com essa compreensão.
A BNCC e estudos sobre educação socioemocional apontam que a consciência social, o relacionamento interpessoal e a empatia são fundamentais para a vida escolar, mas também para além dela.
Na realidade da escola, a empatia pode se manifestar nos seguintes contextos:
Por meio da empatia, a escola se torna um ambiente mais acolhedor, respeitoso e colaborativo e isso favorece o engajamento e o aprendizado, além de reduzir conflitos e promover a inclusão.
Outra competência essencial é a responsabilidade, ou seja, a capacidade do estudante de agir de forma ética, consciente e cuidadosa em relação a si, aos outros e ao ambiente.
Essa competência fala por si só, mas ela envolve assumir compromissos, cumprir deveres, colaborar com o coletivo e respeitar as regras e princípios da convivência.
A BNCC inclui a responsabilidade entre as competências gerais que permeiam todo o currículo.
Já no dia a dia escolar, a responsabilidade pode aparecer como:
Portanto, a responsabilidade socioemocional ajuda o estudante a ver-se como parte de um coletivo maior, como agente de sua própria aprendizagem e do ambiente em que vive e isso reforça a cultura de participação, respeito e protagonismo.
Por fim, mas não menos importante, temos a tomada de decisão ou tomada de decisão responsável. Essa competência refere-se à capacidade de fazer escolhas conscientes, avaliar alternativas, considerar impactos, agir de acordo com valores e princípios, e de aprender com as consequências.
Na escola, podemos observar a tomada de decisão nas seguintes práticas:
Logo, a tomada de decisão responsável fortalece o protagonismo estudantil, o senso crítico e a capacidade de se posicionar com autonomia, elementos que fazem da escola um espaço de formação não apenas acadêmica, mas também cidadã.
Embora tenhamos visto cada competência individualmente, é importante destacar que elas se articulam de modo integrado na prática escolar.
Ou seja: o autoconhecimento favorece o autocontrole; o autocontrole facilita a empatia; a empatia sustenta a responsabilidade; e a responsabilidade amadurece a tomada de decisão. Além disso, o ambiente escolar: professores, gestores, rotina, cultura, desempenha papel decisivo para que esse desenvolvimento aconteça de forma sistemática e intencional.
Para que isso aconteça com qualidade, algumas diretrizes simples podem ajudar:
As 5 competências socioemocionais que vimos até aqui, são essenciais para formar pessoas capazes de conviver, aprender, decidir e agir no mundo de hoje. E mais: na escola, elas se manifestam nas pequenas e grandes interações diárias, no “como me conheço”, “como gerencio minhas emoções”, “como escuto o outro”, “como ajudo a turma” e “como escolho o meu caminho”.
Portanto, ao investir de forma intencional nessas competências, a escola colabora para que cada aluno seja mais preparado não apenas para os desafios acadêmicos, mas para a vida.
E, claro, dentro do programa Conviver e da parceria com as escolas, esse trabalho ganha um significado ainda mais bonito: o de aprender junto, transformar juntos e tornar visíveis os caminhos que construímos na convivência, na ação e na troca.
Que possamos, juntos, cultivar essas competências todos os dias: na sala de aula, no recreio, nas relações e nas decisões. Porque, de fato, o mundo se abre para quem convive, e conviver bem exige competências socioemocionais fortalecidas.
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